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Universidade federal analisa propriedades de associados da Languiru

06/03/2017

Dezenas de instituições de ensino superior mantêm parceria de longa data com a Cooperativa Languiru. Por seguir uma linha de “portas abertas” e ser uma das organizações mais tradicionais do agronegócio gaúcho, a cooperativa é regularmente contatada por universidades que desejam propor um ambiente favorável à troca de conhecimentos teóricos e práticos.

No segundo semestre do ano passado, estudantes da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) realizaram estudo diferenciado na área de atuação da cooperativa. O intuito foi sugerir planejamento integral para viabilizar econômica, ambiental e socialmente a pequena propriedade rural. Os resultados foram obtidos por meio de levantamento das condições de infraestrutura de duas propriedades rurais, das condições de cada sistema de produção em uso nessas propriedades e demais aspectos que contribuem para manter a família no campo. O produto final desse trabalho envolveu a discussão prévia com a família, relatórios técnicos, apresentação à comunidade acadêmica e à comunidade abrangida.

Estudantes visitaram as propriedades dos associados Post e Ahlert, em Fazenda Vilanova e Westfália (Fotos; Divulgação UFRGS)

A Languiru foi escolhida pela universidade federal em função das propriedades rurais dos associados se caracterizarem pela mão de obra familiar. Da mesma forma, essas propriedades estão mais propensas a algumas modificações no sistema de produção na comparação com uma empresa rural, que já tem seu sistema de produção estruturado e, consequentemente, pouco afeita a alterações que possam advir do trabalho de uma instituição de ensino superior.

 

O desenvolvimento da pesquisa

 

O experimento contou com a participação de estudantes das disciplinas de Planejamento Agronômico Integrado (PAI) e Planejamento Integrado em Zootécnico (PIZ), todos acadêmicos em final de curso. A UFRGS entrou em contato com o Setor de Leite do Departamento Técnico da Languiru, que indicou as propriedades que se enquadrassem nos pré-requisitos estabelecidos pelo curso de Agronomia. Em Fazenda Vilanova, na localidade de Nova Westfália, foi avaliada a propriedade do associado Elio Post. Em Westfália, foi analisada a propriedade dos associados Osmar Ahlert, Vitor Ahlert e Lucas Ahlert, situada em Linha Schmidt Fundos.

Estudantes visitaram as propriedades dos associados Post e Ahlert, em Fazenda Vilanova e Westfália (Fotos; Divulgação UFRGS)

O diagnóstico das propriedades considerou algumas premissas, como não onerar a propriedade ao ponto de inviabilizá-la economicamente e não acarretar maior carga de trabalho aos membros da família envolvidos no sistema de produção. A metodologia consistiu na coleta de amostras de água, amostras de solo, descrição de perfis de solo, levantamento da vegetação, mapas, levantamento de máquinas e de benfeitorias.

A partir deste momento foram mantidas conversas informais no sentido de detectar anseios e perspectivas das famílias para os anos vindouros. Todas estas informações levaram a um conjunto de propostas para as atividades exercidas na propriedade, as quais foram discutidas e avaliadas com os membros da família, para uma decisão mais consensual possível. As proposições variaram entre sugestões de melhorias nos sistemas implementados nas propriedades ou reformulação, seja parcial ou total, das rotinas nas propriedades.

Importante salientar que cada sugestão ou mudança no sistema de produção considerou a origem dos recursos para viabilizar a implementação. Quando se tratava de investimentos que necessitassem de valores maiores, o planejamento da propriedade devia atentar-se aos desembolsos nos anos subsequentes, de modo a não comprometer a rentabilidade da propriedade e sustento da família. Todo este planejamento contempla o fato de que as propriedades se inserem em um contexto municipal e regional e que, em assim sendo, não podem perder de vista os potenciais e as limitações que a região pode impor ao sucesso e à viabilidade da propriedade no longo prazo.

Os trabalhos foram orientados pelos professores regentes João Bender e Carlos Bissani, e coordenadores de grupo Roberto Weiler, Michael Mazurana, Jose Barbosa Neto e Edson Bertolini. Também colaboraram na condução do projeto os professores Marcelo Gravina de Moraes, Miguel Dall’Agnol, Flavia Charão, Samuel Martins, Elemar Cassol, Renato Levien, Elisa Modesto, Leandro Godoy, Tales Tiecher e Paulo Cesar do Nascimento. A pesquisa iniciou em agosto e foi concluída em dezembro de 2016.

 

Apresentação dos resultados indica alteração no manejo do solo

 

As conclusões do trabalho foram apresentadas em dezembro, durante evento na Associação dos Funcionários da Languiru, que foi acompanhado por professores e estudantes da UFRGS, produtores rurais representando as propriedades analisadas e profissionais do Setor de Leite do Departamento Técnico da cooperativa. Além disso, também estiveram presentes técnicos da Emater/RS-Ascar. Coordenadores do projeto fizeram constatações relativas à geografia e à economia da região, assim como apontamentos inerentes as duas propriedades vistoriadas. Por meio de gráficos, foi indicado que um dos caminhos para o êxito das propriedades é reduzir custos de produção, com a racionalização da oferta de proteína, e continuar com o trabalho de sanidade do rebanho.

Os professores Michel Mazurana e Renato Levien avaliaram a forma como o trabalho procedeu e os resultados que foram obtidos após a finalização. Mazurana frisou a necessidade de utilização de implementos para evitar a compactação do solo, o que limita a capacidade de infiltração da água. “Esta compactação requer intervenções e manejos apropriados das áreas de produção e pastejo, para reduzir perdas de solo por escorrimento superficial, para conservar os solos e mantê-los produtivos”, comentou. Ele entende que o produtor deve avaliar a receita bruta e líquida, e acrescentou que o futuro da produção primária depende muito do trabalho de orientação dos profissionais técnicos.

Levien comentou que a região apresenta pontos com irregularidade na compactação do solo, uma consequência dos diferentes sistemas produtivos que interferem nos níveis de compactação, nesse caso, o tráfego intenso de máquinas e pastoreio de animais. “Se possível, os produtores de leite devem criar os rebanhos nos sistemas confinado, free stall ou compost barn, em função das áreas íngremes e das propriedades pequenas. Também é aconselhável otimizar a área produtiva evitando impactos da oscilação dos custos dos insumos”, recomendou.

O professor Renar João Bender lembrou que as conversas com a cooperativa iniciaram em julho e agradeceu a disponibilidade das propriedades rurais que participaram do estudo. Ressaltou o fato de que o projeto vai contribuir para a evolução das propriedades e destacou o apoio do Setor de Leite do Departamento Técnico. “Essa troca de informações foi um grande aprendizado para nós. Ficou evidente a importância do agronegócio, que aliado ao cooperativismo, gera qualidade de vida para os produtores rurais”, enalteceu.

O coordenador do Setor de Leite do Departamento Técnico, Fernando Staggemeier, colocou o setor à disposição da universidade e enalteceu o acesso às informações da pesquisa. “A Languiru pode auxiliar as propriedades para que sigam se desenvolvendo com eficiência e rentabilidade”, afirmou.

 

Confiança entre universitários e produtores rurais

 

Com propriedade em Linha Schmidt Fundos, município de Westfália, o associado Lucas Ahlert descreveu que os universitários examinaram amostras de água e solo, volumoso e o modelo de gestão da propriedade rural. “Primeiro nos assustamos um pouco, uma vez que revelamos os números da propriedade. Depois que os universitários foram realizando mais visitas, foi nascendo um sentimento de confiança entre os estudantes e os integrantes da nossa família, com todos trabalhando para o mesmo objetivo”, relatou.

Ahlert revelou que os estudos da universidade serviram para fazer algumas alterações na lavoura de milho (Foto: Éderson Moisés Käfer)

Ahlert entende que é preciso ter senso de discernimento, ou seja, aplicar as conclusões na propriedade rural sempre levando em consideração a viabilidade. Revelou que a equipe sugeriu fazer uma rotação de culturas com a finalidade de deixar a terra preparada para as próximas safras. “Já aplicamos algumas sugestões na propriedade. Por exemplo, mudamos a forma de proceder com a lavoura de milho”, contou.

 

Propriedade rural aberta às mudanças

 

Elio Post e a esposa Elia Schossler também receberam na sua propriedade o “time” da UFRGS. Com propriedade em Nova Westfália, município de Fazenda Vilanova, o casal observou que os universitários analisaram diferentes aspectos, como a compactação do solo, a curva do nível para evitar erosões, a potabilidade da água consumida pela família e o tamanho do rebanho. Inclusive, procuraram se inteirar sobre os objetivos da família. “Já tínhamos muitos dados em função da parceria com a Emater. É interessante ter tudo documentado, pois, dessa forma, conhecemos melhor a nossa propriedade rural e conseguimos tirar melhor proveito dela”, frisou Elia.

Elia e Elio ficaram satisfeitos com os resultados e entendem que é importante ter tudo registrado sobre a propriedade rural (Fotos: Éderson Moisés Käfer)

Os universitários sugeriram ao casal repensar o número de animais do plantel, com o intuito de ter reposição em eventuais perdas e investir na venda de animais. Outro ponto aventado pelos pesquisadores foi a correção de nutrientes do solo. “A análise de solo mostrou os nutrientes que a nossa terra precisa. Estava usando até três sacos de nitrogênio por hectare todas as vezes que fazia a troca de piquete, ou seja, de 15 em 15 dias. O estudo apontou que só era necessário 1,5 saco de nitrogênio por hectare. Vamos gastar menos e produzir mais com planejamento e organização”, argumentou Elio.

A pesquisa também sugeriu alterações na forma de fazer e registrar números da ordenha, com aperfeiçoamento de uma tabela de controle que o casal já possuía. “Valeu a pena participar da pesquisa, pois muitas coisas passavam despercebidas. Precisamos estar abertos às mudanças”, afirmou Elia.

 

 

 

TEXTO – Éderson Moisés Käfer e Leandro Augusto Hamester

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