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Suinocultura – Seminário debate reprodução e técnicas na maternidade

03/02/2020

A evolução do ciclo reprodutivo por meio de avanços genéticos, implementação de novas técnicas na maternidade, otimização da conversão alimentar e as projeções sobre a demanda mundial por carne suína foram abordadas no Seminário de Excelência Tecnológica Agroceres PIC, realizado recentemente em Teutônia. A Cooperativa Languiru, uma das clientes nacionais da empresa de material genético, acompanhou a programação, representada por criadores de leitões, profissionais que atuam em granjas, médicos veterinários e técnicos do Setor de Suínos do Departamento Técnico.

Palestras foram assistidas por criadores de leitões, técnicos e médicos veterinários (Fotos: Éderson Moisés Käfer)

 

Melhoramento genético

 

O diretor de Serviços Técnicos da PIC/EUA, José Henrique Piva, tratou de “Avanços genéticos e potencial da Matriz Camborough”. Defendeu que a matriz suína continuará evoluindo em virtude da crescente demanda por proteína animal. “Esperamos que uma fêmea seja fácil de manejar, tenha produtividade consistente e longevidade. O potencial genético se expressa quando oferecemos instalações, manejo e nutrição. Hoje, se espera que uma fêmea comercial impacte em, pelo menos, 30 leitões por ano”, comentou, acrescentando que os avanços genéticos visam chegar numa fêmea que conceba 43 leitões desmamados por ano.

Já a conversão alimentar busca progredir do consumo de 2,2kg para 1,9kg de ração para gerar um 1kg de carne. “As empresas de material genético também perceberam que era necessário investir no melhoramento de peso médio do nascimento”, complementou.

Se antes a meta era criar leitões de qualidade sem especificações ou exigências, hoje o objetivo é produzir com mais controle, lotes de leitão com mais qualidade para um consumidor cada vez mais moderno e exigente. “Vivemos um período de transição entre trabalho braçal e técnico, em granjas familiares ou de grandes empresas, com mão de obra contratada, automação e uso de sistemas de controle de dados.”

Piva falou sobre avanços genéticos e compartilhou previsões sobre o futuro da suinocultura mundial

 

Planejamento e manejo

 

O consultor da OPP Brasil, Alexandre César Dias, falou sobre “Manejo reprodutivo da leitoa de reposição e fatores que podem limitar a produção”. Destacou a importância de planejar a reposição do lote, a partir da fixação de uma taxa (%) de renovação durante o ano. “Esse planejamento exige alto nível de conhecimento. O fluxo de entrada de leitoas deve ser ajustado ao fluxo de saídas estratégicas de matrizes”, disse.

Ele classificou o custo de manutenção como “caro” no Brasil, mesmo com as instalações sendo mais simples num comparativo às europeias e norte-americanas. Elencou como desafios as falhas de seleção, a pressão para atingir índices mínimos de cobertura e a falta de objetivos claros do integrado. “A leitoa deve ser a melhor fêmea da granja. Como vou repor o plantel com algo pior do que a matriz que está saindo?”, questionou.

Dias aconselhou inseminar as matrizes quando tiverem entre 135kg e 160kg. O ideal é 75% das matrizes entrarem em cio 20 a 30 dias após o estímulo sexual, de modo que não é aconselhável cobrir uma matriz logo no primeiro cio. “Esperamos que a matriz seja coberta com ótima condição física, conceba um grande número de leitões no primeiro parto e apresente uma capacidade satisfatória de amamentação”, mencionou.

O médico veterinário apontou como desafios no manejo da leitegada a ambiência entre porcas e leitões, o aumento das taxas de mortalidade, além da ausência de foco da mão de obra nos primeiros dias. Como fatores que influenciam no desempenho da maternidade, citou a lavagem e desinfecção dos galpões, a sanidade das matrizes e o peso de nascimento dos leitões. “O colostro, além de proteger os leitões contra agentes patogênicos, tem efeito direto no desenvolvimento do trato intestinal e no peso dos leitões nas primeiras 24 horas”, ensinou.

 

Escore corporal

 

O supervisor de Serviços Técnicos da Agroceres PIC, João Victor Rodrigues, falou sobre “Manejo do escore corporal da fêmea gestante e alojamento na maternidade”. Chamou atenção às condições de armazenamento e conservação do material genético utilizado na reposição do plantel.

Recomendou “desconfiar” do visor de temperatura da conservadora de sêmen, acrescentando que a variação de 2° C na conservação da temperatura das doses pode reduzir em até um dia o período de validade do material genético. “Estudos apontam que 53% das conservadoras apresentam mal funcionamento em virtude da oscilação do frio. A dose de sêmen armazenada de forma correta, permanece até 24 horas dentro da fêmea”, elucidou.

Rodrigues advertiu os produtores sobre o risco de lesão no trato reprodutivo pela introdução do cateter, a importância de respeitar a densidade de animais na baia e de acompanhar o escore corporal das fêmeas. “O aconselhável é não mover as fêmeas inseminadas de lugar por 48 horas. Também é imprescindível separar as fêmeas ideais das magras e das gordas ”, frisou.

 

 

 

TEXTO – Éderson Moisés Käfer e Leandro Augusto Hamester

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