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Qualificação – Curso para produtores discute nutrição do gado leiteiro

05/04/2018

As parcerias com repartições públicas são de fundamental importância para a Cooperativa Languiru. É por meio delas que a cooperativa encaminha projetos que contemplam tanto o quadro social como o de colaboradores. No último ano, a cooperativa foi escolhida para receber visitas técnicas do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Rio Grande do Sul (Senar/RS) em função do trabalho que ela vem desenvolvendo para fortalecer o setor primário. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) incumbiu o órgão de oferecer assistência técnica e gerencial para produtores rurais, transportadores e técnicos de laticínios. A finalidade é capacitar os envolvidos com a cadeia do leite para produzirem, transportarem e beneficiarem um produto seguro e de qualidade.

Aulas teóricas ocorreram na Associação dos Funcionários da Languiru (Fotos: Éderson Moisés Käfer)

No mês de janeiro, o Setor de Leite do Departamento Técnico e profissionais do Senar/RS selecionaram 140 propriedades rurais que vendem a sua produção à Languiru. Distribuídas em seis municípios, essas fazendas receberão atendimento do órgão público nos próximos dois anos, em visitas mensais.

Os primeiros encontros ocorreram entre os dias 26 e 28 de março e contemplaram propriedades de associados de Teutônia. As aulas teóricas ocorreram na Associação dos Funcionários da Languiru, enquanto que as aulas práticas foram realizadas na propriedade rural do associado Werner König, localizada em Linha Boa Vista, município de Teutônia. Os encontros foram acompanhados intercaladamente pelo engenheiro agrônomo Fernando Staggemeier e pelo técnico em Agropecuária Tiago Schneider, do Setor de Leite do Departamento Técnico da Languiru.

 

Atenção para equilíbrio de nutrientes

 

Os treinamentos foram ministrados pelo médico veterinário do Senar/RS, Cláudio Rocha, que dividiu os encontros em dois momentos. Nas aulas teóricas, observou que a atividade leiteira tem seus momentos bons e ruins, sendo que o agronegócio sustenta a balança comercial brasileira.

Rocha detalhou as etapas relacionados à nutrição do gado leiteiro, explicando todo o sistema digestório dos ruminantes para facilitar o entendimento dos produtores. “Uma vaca chega a produzir, em média, 150 litros de saliva por dia. Esse processo é essencial para a digestão dos alimentos”, acrescentou.

Rocha fez observações quanto à distribuição de piquetes

Também explicou que as vacas passam de três a cinco horas do dia comendo e consomem de nove a 14 refeições por dia. Também informou que ruminam de sete a dez horas por dia e gastam 30 minutos bebendo água, duas a três horas na ordenha e necessitam deitar em torno de dez horas. “A vaca holandesa bebe entre 90 e 102 litros de água/dia, enquanto que a vaca jersey bebe entre 49 e 59 litros de água/dia”, apontou. Nesse sentido, destacou a necessidade de fornecer uma alimentação mais equilibrada à base de premix, nutrientes, concentrado, ração e dieta. “A energia é fundamental porque representa valores calóricos para a manutenção da vida, crescimento, reprodução e lactação. A deficiência de energia impacta tanto na fertilidade como na produção leiteira”, ensinou.

Da mesma forma, enalteceu a importância de óleos e gorduras como fonte de reserva de energia dos animais. Alertou que a deficiência de ácidos graxos pode acarretar em dificuldades na cicatrização de ferimentos, queda no desempenho, problemas de reprodução, aumento de tamanho e acúmulo de gordura no fígado. “Uma vaca só produz leite se bem alimentada, uma vez que um animal bem nutrido tende a ser saudável. A saúde da vaca entra pela boca”, sintetizou.

A organização do número de piquetes foi outro ponto abordado por Rocha. Ele enfatizou a necessidade de definir o período de descanso e o de ocupação do pasto para ocasionar o período de rebrote. “A altura de entrada na pastagem de Tifton é 30cm a 35cm e a de saída é de 15cm a 20cm. Já a entrada na pastagem de Tanzania é de 80cm a 100cm na entrada e 35cm a 40cm na saída”, indicou.

Nas aulas práticas, Rocha instruiu os produtores sobre como avaliar a condição corporal do rebanho, práticas de consumo de volumoso (silagem e concentrado) e aferição de peso dos animais. As aulas práticas ocorreram nas propriedades rurais do associado Werner König, localizada em Linha Boa Vista, município de Teutônia.

 

 

 

TEXTO – Éderson Moisés Käfer e Leandro Augusto Hamester

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