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Programa de Sucessão Familiar – Aula de maio propõe estudo sobre tendências e indicadores

31/05/2019

Compreender perspectivas para executar uma leitura confiável do agronegócio mundial, sobremaneira que desperte a capacidade de tomar decisões analisando movimentos econômicos, políticos e sociais. Esses foram os objetivos do décimo encontro do Programa de Sucessão Familiar Languiru, realizado no mês de maio, na Associação dos Funcionários da Languiru. O professor Martin Schultz relembrou técnicas de organização financeira da propriedade rural e orientou o grupo sobre “Tendências e Indicadores”.

Separados em grupos, jovens trocaram ideias sobre indicadores de segmentos que integram o “guarda-chuva” de negócios da Cooperativa Languiru (Fotos: Éderson Moisés Käfer)

 

Agricultura familiar no combate à fome

 

Schultz lamentou que mais de 800 milhões de pessoas ainda passam fome no mundo, de acordo com o último relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2016. Alertou que existe uma forte desigualdade entre a capacidade de produção e a demanda por alimentos. “A fome voltou a crescer no mundo após mais de uma década de queda”, comentou. O professor deixou os jovens impressionados com dados do Banco Mundial: a projeção de nove bilhões de habitantes até 2050 demandará um aumento de 120% do consumo de carnes e de 148% do consumo de soja. Nesse sentido, destacou a importância dos agricultores familiares, que ainda são responsáveis por produzir 80% dos alimentos no mundo, conforme a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). “Isso comprova que os processos não são tão mecanizados quanto achamos e evidencia a importância das pequenas propriedades rurais”, analisou.

 

Potencial brasileiro

 

O professor destacou que a agricultura familiar brasileira é responsável por 70% da produção nacional de alimentos e pela geração de sete a cada dez empregos, segundo estatísticas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Ressaltou que somos o país que mais protege a vegetação nativa, conforme levantamentos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Agência Espacial Americana (Nasa). “A área cultivada responde por apenas 7% do território agriculturável e a área preservada representa 66% da extensão territorial. A Rússia disponibiliza 9,1% para a produção agropecuária, os Estados Unidos utilizam 18,3% e a China 17,7%. Já os países europeus usam entre 45% e 65% do seu território para a agricultura. A Embrapa estima que o Brasil se sobressai em relação a todos os outros, podendo ainda explorar, no futuro, mais 115 milhões de terras cultiváveis”, enalteceu.

Por meio de dinâmicas, jovens opinaram sobre tendências do agronegócio

 

Futuro

 

Schultz observou que estamos passando pelo início de uma nova era, marcada por soluções digitais e tecnológicas e pela preocupação com a sustentabilidade. Projeta que tratores autônomos, drones e robôs guiados por aparelhos de celular e tablets permitirão a produção agrícola 24 horas por dia, todos os dias da semana, informando os dias críticos para a colheita sazonal. “A integração de inteligência artificial, imagens de satélites e de softwares sofisticados para a agricultura de precisão vão melhorar a tomada de decisões”, prenuncia.

Ele avalia que os compradores e consumidores finais de países ricos estão cada vez mais dispostos a pagar mais por alimentos de alta qualidade, produzidos de forma ambientalmente sustentável e com identidade preservada. “As tecnologias agrícolas vão permitir atender este público, fazendo com que eles transformem commodities em alimentos especializados, orgânicos e funcionais”, prevê.

Conforme o professor, um quarto de todos os solos agro cultiváveis do mundo está em processo de degradação relativamente avançado. Observou que a grande exploração de aquíferos, rios e lagos para irrigação está esgotando os recursos hídricos em ritmo acelerado. “Podemos esperar a exacerbação da instabilidade climática com secas mais longas e mais duras, inundações e geadas mais frequentes e mais intensas”, advertiu.

Schultz pondera que o uso de microbiologia de plantas e inovações para garantir a fixação e a utilização de nitrogênio reduzirão o uso de fertilizantes sintéticos e de defensivos químicos, diminuindo a emissão de gases do efeito estufa e a poluição das águas. “O foco na saúde do solo é a nova meta da agricultura”, destacou.

Também entende que a colaboração via cooperativismo, parcerias estratégicas, atração de capital de risco, uso de empresas incubadoras e de redes colaborativas são essenciais para o desenvolvimento da agricultura e de outros setores econômicos. “O esforço individual das empresas não é o suficiente para garantir grandes transformações e ganhos de produtividade”, justificou.

 

 

 

TEXTO – Éderson Moisés Käfer e Leandro Augusto Hamester

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