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Programa de Sucessão debate a propriedade rural como um sistema interdependente

05/10/2018

A interferência de fatores externos nos rumos da propriedade rural e a influência desses na construção do agronegócio contemporâneo. Essa é a síntese do que foi tratado na segunda aula do Programa de Sucessão Familiar da Cooperativa Languiru, que ocorreu no dia 04 de outubro, na Associação dos Funcionários. Na ocasião os jovens discutiram a propriedade rural como um sistema interdependente e trocaram informações sobre as oportunidades que surgem no campo.

Nas boas-vindas às turmas, o presidente Dirceu Bayer revelou que a cooperativa está fechando convênios com instituições de ensino públicas e privadas com o propósito de testar novas alternativas. Ainda falou sobre a produção de orgânicos e a possibilidade de experimentos em pequena escala. Nesse sentido, ressaltou a característica da cooperativa em agregar valor à matéria-prima e deixou um recado para os jovens: “vocês são os futuros gestores da Languiru”.  

O coordenador de marketing e cooperativismo, Alexandre Schneider, trouxe informações sobre experimentos que a cooperativa está desenvolvendo com o objetivo de diversificar a renda das propriedades rurais. Comunicou que a organização está procurando alcançar diferentes públicos, por isso está buscando entrar em nichos de mercado diferenciado.

 

Futuro provável e futuro desejável

 

 

A professora Sandra Heck observou que o macro ambiente, represe

Jovens estavam atentos aos ensinamentos dos professores (Fotos: Éderson Moisés Käfer)

ntado por fatores como política e economia, tem influência direta ou indireta na condução da propriedade rural. Nesse momento, lembrou que os mercados não apresentam mais características locais, mas sim globais. “Este cenário pode ser uma ameaça ou uma oportunidade”, disse.

A professora apontou a queda vertiginosa da população no campo nas últimas quatro décadas, no entanto, ressaltou o aumento da produção. Destacou a necessidade cada vez maior de especialização no agronegócio. “Temos que aprender a aprender”, ensinou. Sandra frisou a necessidade de mudança de comportamento para o bem-estar da sociedade, mencionando a cobrança em cima de governos e empresas, para que se encontrem modelos sustentáveis. “Existe o futuro provável e o futuro desejável”, sintetizou.

Ainda exibiu vídeos focados em tendências na geração de proteína animal e novas tecnologias para o combate às pragas em lavouras. A professora elencou a importância das pessoas se unirem em prol de um objetivo, ou seja, construírem uma rede. Em seguida, iniciou debate sobre ameaças e oportunidades na produção de orgânicos.

 

Propriedades fazem parte de um sistema de produção maior

 

O professor Martin Ricardo Schulz reforçou a importância do cooperativismo para o agronegócio, ressaltando que é um modelo que busca agregar valor e reduzir custos. Acrescentou que uma cadeia de suprimentos representa um conjunto de atividades necessárias para levar um produto ou serviço aos consumidores. “Quem não interage, sabe pouco e acaba fora do circuito”, filosofou.

Ele compartilhou experiências pessoais embasadas em viagens que realiza como consultor. Nesse contexto, se surpreendeu com o tamanho do mercado chinês e sua capacidade de consumo. “Quase todo o arroz que é produzido na Tailândia é consumido na China”, informou. O professor destacou os 963 milhões de hectares de áreas agrocultiváveis do Brasil, no entanto, lamentou que, profissionalmente, somente é utilizado 1,7% dessa área.

Schultz mostrou como as cadeias produtivas do frango, suínos e leite estão interligadas. Incentivou os jovens produtores a se comportarem como pesquisadores, ou seja, buscar novos modelos de produção. Na última atividade do dia, os jovens debateram sobre o que as propriedades rurais fornecem à cadeia, quais informações eles recebem da cadeia e se cada produtor, de forma independente, saberia comercializar sua matéria-prima e ter garantia de preço. “Vocês perceberam que estamos inseridos em um sistema de produção maior? A propriedade rural de vocês não é uma ilha”, indagou.

 

 

 

TEXTO – Éderson Moisés Käfer e Leandro Augusto Hamester

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