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O que fazer para atingir índices satisfatórios de conversão na avicultura durante o verão

06/01/2019

Comedouros cheios de ração por mais tempo, grupos ao redor do niple buscando gotas de água e respiração ofegante. Essas circunstâncias costumam se manifestar em aviários durante o verão, uma estação que demanda mais cuidados por parte dos avicultores, especialmente para evitar perdas que acabam prejudicando tanto o integrado como a integradora. Nesse sentido, o período compreendido entre novembro e fevereiro vira um desafio para os avicultores.

Na última década, o frango de corte sofreu transformações no que se refere a melhorias de ganho de peso e conversão alimentar. Apesar disso, pouco foi alterado no seu sistema termorregulador, mecanismo natural do animal para manter sua temperatura corpórea. O frango passa a ter perdas por calor desde a fase inicial, entretanto, é na fase final que as altas temperaturas causam mais danos. Nessa fase, a ave torna-se mais sensível e o fato de consumir grandes volumes de ração potencializa os efeitos do calor. O Setor de Aves do Departamento Técnico da Languiru intensifica uma agenda no verão e relembra que o produtor deve manter uma boa ambiência na granja para evitar a queda de rendimento dos lotes.

 

Ventiladores e nebulização

 

Tudo começa com a disponibilização de um sombreamento eficiente sobre o telhado do aviário. Já dentro do aviário, é indicado colocar um termômetro no meio da estrutura, com o qual será possível fiscalizar a temperatura dentro das instalações. Ventiladores em quantidade adequada é outra tecnologia que contribui para arejar o clima do aviário. O Setor de Aves recomenda instalar ventiladores e acioná-los quando a temperatura atingir os 26° C. Se persistir o aumento da temperatura, é orientado ligar a nebulização aos 28° C, esperando a temperatura ceder. O sistema de nebulização pode ser instalado com três linhas ou mais, um bico a cada quatro metros.

 

Geradores de energia e reservatórios de água

 

Com todos estes equipamentos instalados no aviário, é imprescindível disponibilizar geradores de energia, afim de evitar mortalidades em situações de queda de luz da rede. Outro aspecto fundamental é manter os reservatórios de água bem sombreados e os canos enterrados com o propósito de fornecer uma água com temperatura ideal para consumo. Em dias quentes funciona bem a técnica do “flusching”, que consiste em abrir o registro ao final da linha do bebedouro niple, fazendo com que a água quente saia no lado oposto à sua entrada, deixando-a numa temperatura mais fria (recomendado 18-20° C).

 

Dosar fornecimento de ração

 

Outra recomendação é suspender a ração nos dias excessivamente quentes, logo na primeira hora da manhã, mantendo a ave em jejum até a noite, fazendo o arraçoamento do lote após as 22h. A ventilação deve ficar ligada até que as aves estejam sem sinais de estresse e a temperatura em 25° C. Além disso, a luz também deve ficar acesa. Nesse contexto, o produtor deve estimular o consumo de ração até às 3h da madrugada. É importante frisar que essa prática deve ser adotada sob recomendação técnica, já que existem regiões mais quentes que outras. A percepção do integrado vai fazer com que o lote não sofra com o calor, ou seja, as aves emitem sinais de estresse e caberá ao integrado tomar a ação para contornar a situação.

 

Vigilância constante

Euclides Werner costuma ficar mais por perto do aviário durante o verão (Fotos: Éderson Moisés Käfer)

 

Na localidade de Linha Garibaldi, município de Imigrante, está situada a propriedade rural do associado Euclides Werner (57). O associado da cooperativa já possui experiência de quase três décadas na produção de aves no sistema integrado. No aviário, onde chega a acomodar até 20 mil aves por lote, usa nebulizadores e ventiladores para tornar o clima mais agradável para o lote. Apesar da estrutura ficar em uma área elevada da propriedade, o que beneficia a circulação de ar, costuma ficar sempre por perto durante o verão. “Pode acontecer de tudo, como um ventilador queimar ou cair a chave da rede de energia. Cada lote é um lote diferente. ‘O olho do dono engorda o boi’, no caso, o frango”, ensina. Werner acrescenta que procura ligar os ventiladores quando a temperatura atinge os 25° C e a nebulização quando passa dos 33° C para refrescar o ambiente.

 

É necessário perceber o estado do lote

 

Residindo em Linha São José, município de Estrela, Matheus Berwanger (26) mora na propriedade rural com os pais e dá continuidade à tradição da família na avicultura. Já são 15 anos como integrados da Languiru. Enquanto que o jovem produtor fica responsável pelo aviário mais novo, construído há três anos, o aviário mais antigo da propriedade fica sob a responsabilidade do pai de Matheus.

Matheus Berwanger começa a ligar os ventiladores e a nebulização ao notar os primeiros sinais de cansaço das aves

Segundo o associado, no verão procura observar o aspecto e comportamento das aves, para só então tomar as primeiras medidas. A providência inicial é ligar todos ou parte dos 32 ventiladores do aviário. “Quando as aves estão ofegantes e com as asas abertas, eu ligo todos os ventiladores”, conta. O sistema de nebulização é ativado quando as aves continuam mostrando sinais de elevação térmica, como bico aberto e inércia. “Levanto as cortinas quando noto que há muito calor para impedir a entrada do ar quente que vem de fora. Assim, formo um túnel de vento e vou resfriando a temperatura com ventiladores e nebulização”, ensina. Para complementar a estrutura, a propriedade possui um reservatório de 22 mil litros de água, que pode suportar até dois dias sem água da rede.

Matheus busca “caprichar” no manejo, tanto que limpa a tela do aviário com frequência. O propósito é facilitar a entrada do ar externo, caso esteja agradável. Mudança na rotina de alimentação do lote é outro aspecto levado em consideração pelo avicultor. “Em dias muito quentes, corto a ração no turno da manhã, a partir dos 35 dias de vida. O intuito é evitar qualquer sensação de desconforto que as aves possam ter. À noite, lá pelas 21h, retorno a ração e deixo a luz acesa para que o lote possa se alimentar”, relata.

Caso perceba a ausência de circulação de ar quente, Matheus também deixa os janelões (portas) do aviário abertos durante o dia. “Você tem que sentir o que as aves estão sentindo, uma vez que os sensores de temperatura podem não estar te repassando informações precisas”, afirma.

 

Colaboração: Técnico Agrícola Rafael Teixeira – Departamento Técnico/Setor de Aves

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