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Programa de Inclusão Social e Produtiva no Campo - Parceiros avaliam primeiro ano de atividades
Publicado em 06/07/2018
Produtores participam de palestra técnica sobre fertilidade do solo

No dia 21 de junho a Cooperativa Languiru realizou Encontro dos Parceiros do Programa de Inclusão Social e Produtiva no Campo, evento que procurou avaliar o andamento do programa, avanços obtidos e implementações em andamento. O encontro ocorreu na Associação dos Funcionários da Languiru e, à tarde, ainda contou com capacitação técnica dirigida aos produtores de hortaliças que já comercializam ou estão inscritos para fornecer a produção aos Supermercados Languiru. O plantio de hortifrutigranjeiros é uma das alternativas estimuladas pelo programa, assim como o plantio de milho, oportunidade de geração de renda no campo e de associação à Languiru.

Capacitação técnica reuniu produtores de hortaliças que já comercializam ou estão inscritos para fornecer a produção aos Supermercados Languiru, além de profissionais do Departamento Técnico da cooperativa e da Emater (Fotos: Leandro Augusto Hamester)

 

Trabalho de continuidade

 

Na primeira etapa do evento, lideranças e representantes dos parceiros do programa detalharam sua abrangência, com dados estatísticos de evolução das atividades, além de sugestões de continuidade. “O objetivo é justamente apresentar os resultados já alcançados e um relatório das atividades que buscam uma alternativa produtiva para os pequenos produtores, cuja produção de leite, em alguns casos, necessita ser complementada com outra fonte de renda”, justifica o coordenador de Comunicação e Cooperativismo da Languiru, Alexandre Schneider.

O presidente da cooperativa, Dirceu Bayer, lembrou a trajetória do programa, lançado em maio de 2017, que teve como um dos desdobramentos do projeto a implementação do Cartão Verde, modalidade de associação oferecida pela Languiru aos produtores rurais com cultivo de milho e hortifrutigranjeiros, possibilitando inúmeros benefícios ao agricultor como integrante do quadro social. “Estamos plantando uma pequena semente que está germinando e gerando, literalmente, bons frutos. Temos um longo caminho a trilhar a partir da consolidação do projeto. Seguimos motivados na busca por alternativas para a pequena propriedade rural”, frisou, agradecendo o apoio dos parceiros.

O coordenador do Setor de Leite do Departamento Técnico da Languiru, Fernando Staggemeier, apresentou dados da produção leiteira nos 21 municípios contemplados pelas atividades. “A partir da oferta de uma nova oportunidade produtiva, os produtores têm visualizado um novo nicho de mercado com a percepção da demanda por hortifrutigranjeiros e cultivo do milho. Ao longo desse um ano, percebe-se o amadurecimento do programa e das suas ações. É uma iniciativa que pensa o rural e a agricultura familiar com agregação de valor à produção do campo”, disse. Ele ainda apresentou bons exemplos de investimento na cadeia leiteira, buscando o incremento produtivo e a qualidade da matéria-prima. Entre os números, destacou que, até o momento, 120 propriedades aderiram ao programa. Em contrapartida, se disse preocupado com produtores que deixaram a atividade leiteira recentemente. “Em um ano, em função dos desafios dessa atividade, 63 produtores associados à Languiru cessaram com o leite, o que mostra a importância do programa de inclusão desenvolvido pela cooperativa”, alertou.

Presidente Dirceu Bayer recebeu lideranças e apoiadores para avaliar o primeiro ano de atividades do programa

 

União de esforços

 

Os secretários da Agricultura de Teutônia, Gilson Hollmann; de Estrela, José Adão Braun; e de Westfália, Vitor Ahlert, que são apoiadores do programa, ressaltaram a importância da união de esforços. “É uma iniciativa louvável, num trabalho que não tem fim, com grandes desafios pela frente”, disse Hollmann. “O trabalho de orientação é essencial nesse processo, com uma mudança de mentalidade para a evolução constante e necessária”, acrescentou Braun. “Com a repercussão muito negativa da saída dos produtores da atividade leiteira, os hortifrutigranjeiros podem ser uma alternativa”, afirmou Ahlert.

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Teutônia com extensão de base em Westfália, Liane Brackmann, se disse preocupada com a nova legislação para a cadeia do leite, receosa da exclusão de mais produtores na atividade. “Precisamos evoluir sim, mas a preocupação é grande diante da realidade produtiva brasileira. Existem distorções muito grandes”, manifestou.

O assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar, Martin Schmachtenberg, detalhou os dados produtivos dos municípios atendidos pelo programa, enaltecendo os casos em que, apesar das adversidades do período turbulento para o leite, aumentaram volume e qualidade. “Esse resultado é positivo e, consequentemente, reflete em aumento na geração de renda nas propriedades rurais”, disse, lamentando, no entanto, as situações em que produtores acabaram saindo da atividade leiteira.

 

Alternativa bem-sucedida

 

O técnico em Agropecuária, Géferson Reis, profissional da Languiru que acompanha o programa na cooperativa, trouxe cases de sucesso no cultivo de hortifrutigranjeiros. “Atualmente, 32 propriedades rurais já participam do programa. Dessas, 24 fornecem seus produtos para os Supermercados Languiru. As demais, estão em fase de planejamento do cultivo e da colheita”, enumerou, ressaltando a importância da orientação técnica. “Contamos com bons exemplos, com diversidade e qualidade. Para isso é fundamental trabalhar com estratégias de cultivo, com organização desde a escolha da semente, as diferentes técnicas de plantio e características da propriedade”, orientou.

 

Evento técnico

 

No turno da tarde ocorreu capacitação técnica dirigida aos produtores de hortaliças que já comercializam ou estão inscritos para fornecer a produção aos Supermercados Languiru. O evento ainda contou com a participação de profissionais do Departamento Técnico da cooperativa e da Emater. Nas boas-vindas, o presidente Dirceu Bayer lembrou a origem do Programa de Inclusão Social e Produtiva no Campo. “A cooperativa está disposta a aprender mais sobre hortifrutigranjeiros e, a partir disso, oferecer mais uma alternativa de negócio aos associados”, disse, destacando a estrutura dos supermercados para absorver a produção local, que permitirá priorizar os volumes produzidos nas propriedades dos associados.

Doutor em Solos, Leandro Souza da Silva

O Doutor em Solos, Leandro Souza da Silva, professor do curso de Agronomia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), proferiu palestra sobre “Manejo da fertilidade do solo”. Ele iniciou demonstrando as particularidades entre diferentes tipos de solos e como essas características distintas acabam exigindo variadas abordagens de adubação.

Com imagens, trouxe exemplos de culturas com nítida deficiência relacionada a alguns minerais. A diferença de porte ficou evidente num comparativo às mesmas plantas com adubação correta. Em outra abordagem, salientou que “cada cultura possui um índice ideal em termos de acidez ou alcalinidade do solo, exigindo, portanto, quantidades diferentes de calcário para obter o índice ideal. Esses dados técnicos estão disponíveis e devem ser observados antes do plantio, com auxílio da assistência técnica. Essa orientação também evita o desperdício, com a aplicação em excesso de adubo ou perda de produtividade, já que esse adubo pode não ser absorvido adequadamente pela planta em função da falta de correção do solo”, orientou.

Silva também explicou a influência da adubação em características que definem a qualidade do produto. “A presença ou restrição de alguns elementos têm interferência na coloração da uva e da laranja”, definiu.

Ao final, os produtores ainda puderam esclarecer dúvidas pontuais, permitindo que saíssem convencidos de que não há como pensar em produção de frutas e hortaliças sem observar a questão nutricional das plantas, por meio de um correto equilíbrio do solo. “A correção e adubação adequada é o princípio de todo o processo. Se não for feita corretamente, acaba por atrapalhar a produtividade e os ganhos em todas as demais etapas da produção de hortifrutigranjeiros”, concluiu o palestrante.

Dentro do programa de assistência técnica aos produtores de frutas e hortaliças, novos encontros serão realizados, periodicamente, nos próximos meses.

 

 

TEXTO – Leandro Augusto Hamester

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