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Dia de Campo em Brochier trata de sanidade e nutrição do gado leiteiro
Publicado em 08/06/2018

Repassar informações técnicas que possam agregar performance e renda à pequena propriedade rural, por meio de encontros individuais ou coletivos, é uma missão do Departamento Técnico da Cooperativa Languiru. Nessas circunstâncias, no dia 10 de maio ocorreu Dia de Campo na propriedade dos associados Sadi Kirsten, Jeferson Kirsten e Jacson Kirsten, localizada em Linha Batinga Sul, município de Brochier.

Produtores atentos às instruções do Setor de Leite (Fotos: Éderson Moisés Käfer)

Organizado pelo Setor de Leite do Departamento Técnico, juntamente com a Emater/ RS-Ascar, o evento discutiu aspectos ligados à sanidade e nutrição do gado leiteiro. O Setor de Leite esteve representado pelo engenheiro agrônomo Fernando Staggemeier, médico veterinário Diogo Cord e técnico em agropecuária Tiago Schneider. Quem também acompanhou as palestras foi o vendedor externo do Agrocenter Languiru – Insumos, Volnei Altevogt, profissional que atende os associados do Vale do Caí. Da mesma forma, o evento contou com a presença do técnico em agropecuária da Emater, Fabiel Kamphorst, e do prefeito de Brochier, Clauro Josir de Carvalho.

               

Sanidade animal

 

Cord iniciou o ciclo de palestras e chamou a atenção dos produtores para as consequências das doenças reprodutivas. Alertou que problemas reprodutivos são frequentes nos animais, cujos principais sinais observados são os abortos ao longo da gestação e os retornos ao cio, que podem ser indícios de doenças como a Rinotraqueíte Infecciosa dos Bovinos (IBR), a Diarreia Viral Bovina (BVD) e a leptospirose. Observou que existem vacinas para essas enfermidades, as quais previnem e controlam a doença no rebanho, sendo fundamental seguir o esquema de vacinação indicado. “No caso da leptospirose, a transmissão ocorre principalmente por roedores, como ratos e ratões do banhado. Por isso, além da vacinação, é importante o controle de roedores. As vacas infectadas podem apresentar retorno de cio e aborto no meio da gestação”, acrescentou.

Cord alertou os produtores sobre doenças reprodutivas do rebanho

Sobre a Brucelose, os principais sinais dessa doença são abortos no final da gestação e retenção de placenta. Lembrou ainda que a vacina deve ser feita por médico veterinário, sendo obrigatória em todas as fêmeas de três a oito meses de idade, e quando feita a vacinação deve ser encaminhada cópia do comprovante para do Setor de Leite.

O médico veterinário também aproveitou para falar sobre a Tuberculose, uma doença crônica de desenvolvimento lento, que ainda registra muitos focos na região, gerando muitos prejuízos ao rebanho leiteiro, sendo fundamental realizar o monitoramento da doença por meio do teste em todo o rebanho. Ressaltou que a cooperativa paga, há mais de uma década, bonificação pelo leite das propriedades rurais que exibem atestado anual livre desta zoonose.

Cord ainda explanou sobre carrapatos, uma praga que pode disseminar tristeza parasitária nos animais infectados. Explicou que, geralmente, os carrapatos estão presentes 95% no pasto e 5% nos animais. Para finalizar, mostrou o calendário de vacinação anual elaborado pelo Setor de Leite do Departamento Técnico da Languiru.

 

A relação entre nutrição e conforto

 

Staggemeier conduziu palestra sobre a nutrição do gado leiteiro, destacando que a alimentação é a base da produção de leite. Incentivou os produtores a repensarem quanto e o que tratam ao rebanho, de modo que as demandas alimentares sejam atendidas. “Se estas necessidades não estiverem sendo atendidas, a vaca não vai dar a resposta esperada em produção e, muito menos, emprenhar no período desejado”, afirmou.

Staggemeier frisou que as necessidades nutricionais das vacas precisam ser atendidas

O coordenador do Setor de Leite observou que a população de bactérias do rúmen da vaca demora até duas semanas para se adaptar às mudanças de dietas. Endossou que é preciso oferecer uma dieta balanceada e em volumes adequados para as diferentes fases de lactação. Staggemeier informou que o pico de lactação ocorre aos 60 dias pós-parto, quando é aconselhado maximizar o consumo de comida e proporcionar o máximo de conforto, para explorar o potencial genético do animal ao máximo. Durante o ano, sugeriu dividir o rebanho em lotes de alta produção, baixa produção, primíparas e recém-paridas. “Mensalmente, temos que controlar a produção de leite por animal, os dias em lactação (DEL) e o escore corporal. Esse procedimento pode ser feito com anotações ou outros registros para formação ideal dos lotes de produção”, complementou.

Staggemeier ainda revelou que a vaca chega a beber 2,6 litros de água para produzir um litro de leite, sendo que de 40% a 60% dessa necessidade é suprida imediatamente após a ordenha. “Estudos apontam que o mais indicado é disponibilizar grandes volumes de água somente depois da ordenha”, recomendou.

Sobre conforto animal, observou que as vacas ficam de 12 a 14 horas do dia deitadas, ruminando, cena que pode ser vista, principalmente, em galpões com ventiladores e aspersores bem projetados. Lembrou que as vacas trocam calor por contato, ou seja, deitam no barro para resfriar. “Este fato deve ser corrigido, evitando os descartes involuntários de vacas”, acrescentou.

O engenheiro agrônomo ainda tratou das causas e consequências de leite alcalino, LINA e crioscopia. Alertou que geralmente isso ocorre em função do desequilíbrio da dieta do rebanho. Para finalizar, citou os valores das bonificações para diferentes critérios, como qualidade, sala de ordenha, resfriador, Contagem de Células Somáticas (CCS) e Unidade Formadora de Colônias (UFC).

 

 

 

TEXTO – Éderson Moisés Käfer e Leandro Augusto Hamester

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