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Mulheres ocupam o seu espaço na propriedade e no quadro social

22/04/2019

Vemos que o campo não está passando apenas por mudanças tecnológicas e de processos. Os estabelecimentos agrícolas testemunham uma transição cultural, com o fortalecimento do protagonismo feminino. O Censo Agropecuário 2017 apontou que o percentual de produtoras rurais cresceu de 12,7% em 2006 para 18,6% em 2017, segundo divulgado pelo IBGE. Em 2018, pesquisa da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio revelou que a participação das mulheres na administração das propriedades rurais brasileiras passou de 10% em 2013 para 30% no último ano.

A Cooperativa Languiru contabiliza 450 mulheres com matrícula ativa no quadro social portando Cartão Azul ou Cartão Verde. Essas matrículas estão distribuídas por 36 municípios dos Vales do Taquari, Caí, Rio Pardo e da Serra. Elas já são responsáveis por 19,85% dos associados com produção.

 

Sintonia no trabalho em equipe

 

Mãe e filha comandam o “espetáculo” em uma propriedade rural localizada em Linha Boa Vista, município de Poço das Antas. Filha de produtores rurais, Daiane Kuhn Welter (29) se integrou ao quadro social da Cooperativa Languiru em 2008. Já Aquila Kuhn (58) herdou a matrícula do marido, falecido em 2014. A produção de aves de corte está no nome de Daiane, enquanto que a creche de suínos está no nome de Aquila. “Nós cuidamos desde a alimentação à sanidade dos lotes. Meu marido também está presente no dia a dia, trabalhamos em equipe”, observa Daiane.

O trabalho em equipe norteia a rotina das associadas Daiane (e) e Aquila (Fotos: Éderson Moisés Käfer)

A Languiru representa muito para elas. Aquila ressalta que a cooperativa promove eventos que buscam integrar as mulheres; Daiane menciona a assistência técnica. “Eles sempre procuram contribuir com informações que melhoram o desempenho dos lotes”, elogia.

Aquila entende que as mulheres conseguem se adaptar com maior facilidade a situações adversas que vivem no campo e reivindica mais valorização da profissão por parte da sociedade. “Os agricultores são responsáveis pela produção de alimentos para milhares de pessoas”, aponta. Daiane enaltece que a mulher está presente em quase todos os setores da sociedade. “Ela se vira para dar um jeito em tudo, por isso, todo dia é o dia da mulher”, sintetiza.

 

Família cooperativista

 

Sogra e nora representam o equilíbrio de uma tradicional família de associados em Linha Ernesto Alves, município de Imigrante. Carina Stevens (44) e Clari Stevens (64) residem em propriedade rural que pode ser comparada a uma empresa, onde a criação de aves de corte e a engorda de suínos é a fonte de renda. Os Stevens ainda possuem uma granja de ovos férteis na mesma localidade e uma recria de matrizes em Linha São José, município de Coronel Pilar.

Uma verdadeira “empresa rural” é administrada pela família das associadas Clari (e) e Carina

Carina é filha de produtores de leite que vendiam a produção para a Languiru. “Eu me lembro que ia com os meus pais pegar a Conta do Leite no antigo Supermercado Languiru de Teutônia”, recorda. Na adolescência, saiu de casa para estudar e formou-se professora. Acabou retornando mais tarde para ajudar os pais na propriedade rural e, depois de casada, também passou a integrar o quadro social da Languiru. “Em 2011 me associei com o objetivo de resolver uma questão na entrega de rações. Fiquei com os lotes de recria de matrizes de suínos no meu nome”, conta.

Passaram os anos e a ex-professora se tornou uma empresária do campo que comanda tarefas administrativas. Carina executa desde o balanço do mês até a compra de materiais para as granjas de Coronel Pilar e de Imigrante. “Se precisar, também me coloco à disposição para ajudar no carregamento e descarregamento de animais”, complementa.

Já Clari trabalhou por décadas em atividades braçais no campo e, em 2018, ingressou no quadro social da cooperativa, com a terminação de suínos em seu nome. “A cooperativa oferece oportunidades para as mulheres”, cita, opinião compartilhada pela nora. “A Languiru trata de forma igualitária homens e mulheres.”

Os Stevens coordenam funcionários que moram e trabalham em suas granjas. “Temos que zelar pelo nome da cooperativa, uma vez que aqui começa a cadeia produtiva da Languiru”, conclui Carina.

 

 

 

TEXTO – Éderson Moisés Käfer e Leandro Augusto Hamester

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