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Fórum Tecnológico do Leite – Motivação e cenários da produção leiteira pautam segundo dia do evento

19/09/2014

A recepção para o segundo dia do Fórum Tecnológico do Leite – 8ª edição, foi com café da manhã e ao som do Conjunto Instrumental nas dependências do Colégio Teutônia. A programação de quinta-feira, dia 18, foi bastante variada e atraiu grande público ao Auditório Central do educandário, onde transcorreu o evento na parte da manhã, e à Granja do Colégio Teutônia, que sediou o Circuito Temático no turno da tarde. Ao todo, nos dois dias de atividades a comissão organizadora do Fórum contabilizou a participação de cerca de 850 pessoas, entre estudantes, produtores rurais, autoridades, apoiadores e parceiros, representantes de entidades do agronegócio, comunidade e imprensa.

“Estamos muito satisfeitos e felizes com a expressiva participação do público nas palestras e no Circuito Temático. Desde já, todos estão convidados para a 9ª edição do Fórum Tecnológico do Leite, a ser realizada em setembro de 2015. Esperamos que todos saiam do evento com novos conhecimentos e possibilidade de aplicação prática de novas ferramentas nas suas propriedades rurais, objetivando a eficiência produtiva, a qualidade de produtos e a qualidade de vida”, avaliou a professora Maria de Fátima Fuzer da Silva ao final do evento.

Circuito Temático foi uma das novidades da 8ª edição do Fórum, com estandes distribuídos pela Granja do Colégio Teutônia
Circuito Temático foi uma das novidades da 8ª edição do Fórum, com estandes distribuídos pela Granja do Colégio Teutônia

Circuito Temático

Uma das novidades do evento neste ano foi a realização do Circuito Temático nas dependências da Granja do Colégio Teutônia. Foram nove estações, destacando espécies forrageiras, manejo de pastagem, cerca elétrica, silagem e desensilagem, conservação de forragem – fenação, manejo nutricional do rebanho, qualidade do leite e criação de terneiras. Cada parceiro participante teve 20 minutos de explanação, com o público participante dividido em grupos menores, qualificando o contato com os profissionais técnicos.

O encerramento do evento contou com a degustação de produtos lácteos, oferecidos pela Cooperativa Languiru, sorteio de brindes e o concurso Leite em Metro.

Concurso de leite em metro encerrou a programação
Concurso de leite em metro encerrou a programação

Motivação e qualidade de vida

A primeira palestra da manhã de quinta-feira propiciou momentos de diversão, integração e reflexão aos participantes. Contando com a interação do público, o engenheiro agrônomo e especialista em Motivação Humana Reflexiva, Ainor Francisco Lotério, abordou o tema “Vida de qualidade e prosperidade no campo”. Já no seu ingresso no Auditório Central, ele surpreendeu a todos quando chegou pedalando sua bicicleta.

“Quem planta e cria tem mais alegria. Viver no campo é uma arte, principalmente neste mundo competitivo. O campo mudou, as famílias evoluíram, os recursos são utilizados mais intensamente. A vida de qualidade é feita de princípios e valores, de cooperação entre as pessoas. Por isso, case com quem você gosta de conversar”, frisou, ressaltando que o primordial para começar algo é ter vontade. “A única coisa que não posso comprar para andar de bicicleta, é o equilíbrio. Fora isso, uma bicicleta emprestada e a vontade me bastam para a primeira pedalada.”

Ainor Lotério propiciou momentos de diversão, integração e reflexão aos participantes, que lotaram o Auditório Central do Colégio Teutônia
Ainor Lotério propiciou momentos de diversão, integração e reflexão aos participantes, que lotaram o Auditório Central do Colégio Teutônia

Uma das bases da palestra motivacional esteve no relacionamento familiar. “A alegria de viver está dentro de cada um de nós. Devemos dar atenção especial aos relacionamentos, ser comprometido com o futuro, preparado no presente e atento às mudanças. Além disso, precisamos valorizar os pais e o passado. Sejamos felizes por termos nascido no campo, por sermos agricultores. Mais importante que nascer na terra é ver a terra nascer dentro da gente. E quando atingir o sucesso, nunca esqueça quem batalhou do seu lado”, explicou.

Futuro da cadeia produtiva do leite

Fechando o roteiro de palestras, o engenheiro de alimentos, gerente técnico adjunto da Emater/RS-Ascar, Renato Cougo dos Santos, falou sobre o tema “Leite: produto nobre e diferenciado”.

“O leite é tão importante para a alimentação humana que, em alguns países, sua produção e fornecimento são tratados como responsabilidade pública, com papel fundamental para a saúde da população”, frisou.

O leite no Brasil e no Rio Grande do Sul

Renato Cougo dos Santos
Renato Cougo dos Santos

Conforme dados de 2011 do IBGE, o Brasil é o terceiro maior produtor de leite no mundo, com 33,2 bilhões de litros, atrás apenas dos Estados Unidos (88,6 bi) e da Índia (52,5 bi), estando à frente de países como a Rússia (31,7 bi) e a China (30,7 bi). Segundo dados do Leite Brasil, a produção nacional alcançou 35 bilhões de litros em 2013, crescimento de 5,7% com relação ao ano de 2012. “O Brasil é destaque neste cenário da produção de leite mundial. Mesmo assim, considerando a concentração da capacidade industrial instalada na região Sul e Sudeste do país, registramos ociosidade de quase 45% das plantas de laticínios, um grande déficit com relação à produção”, ponderou Santos.

Baseado nas informações do Leite Brasil, ele falou da produção de leite no Rio Grande do Sul. “Em 2013, a produção leiteira gaúcha foi de 4,3 bilhões de litros, crescimento de 6,17% com relação ao ano anterior, superior à média de crescimento nacional.” Na distribuição geográfica da produção de leite no Estado, a maior concentração produtiva está localizada no Noroeste gaúcho.

Mercados interno e externo

“O Brasil mais importa do que exporta leite. Se na década de 90, 12% das nossas empresas exportavam seu produto, hoje apenas 3% comercializam o leite no exterior. Mesmo importando o leite de outros países para atender a demanda do mercado interno, ainda temos o parque industrial ocioso. O consumo de leite está em franco crescimento no Brasil, o que nos mostra que existe um grande mercado interno a ser explorado. A FAO – órgão da ONU para a agricultura e a alimentação – sugere que o consumo per capita seja de 220 litros de leite ao ano. O Brasil, em 2014, deve alcançar 172 litros/ano por indivíduo”, projetou o palestrante.

Outro gráfico interessante apresentado por Santos considerou o leite a bebida mais consumida no Brasil, com 28,67%, à frente dos refrigerantes (28,24%) e da cerveja (21,61%). Uma preocupação é a proporção inversa de consumidores e de produtores. “Acreditamos no crescimento do consumo e da produção de leite, mas também deve ocorrer a diminuição do número de produtores de leite. Hoje contamos com animais de melhor genética, melhores tratos de água e alimentação, com maior produtividade de leite e menor número de animais. Mas o que nos preocupa é que o cenário aponta para que tenhamos cada vez menos pequenos produtores e mais produtores com grandes volumes”, ponderou.

Novos produtos

Outro foco da palestra abordou produtos comoditários, moeda na bolsa de valores, como o leite em pó e o leite condensado. Nesse cenário surgem com muita força as maiores empresas de lácteos do mundo, a maior delas a suíça Nestlê. “Com o mercado globalizado, muitas grandes empresas procuram o Estado para instalar plantas de industrialização do leite. Havendo esse déficit de produção, há a necessidade de compra de leite estrangeiro. Aliado a isso, o custo de produção do leite no Brasil é mais caro que o custo de venda no mercado internacional. Ou seja, não somos competitivos”, explicou o palestrante.

Se por um lado o desenho da cadeia leiteira para o mercado externo não anima, o mercado interno pode ser a solução nacional. “Temos capacidade para crescer, de rentabilizar a cadeia do leite, atendendo o mercado brasileiro. Diariamente são lançados novos produtos, atraindo mais consumidores, como é o caso do leite aromatizado e o mercado em expansão dos produtos orgânicos – sem o uso de insumos sintéticos – e dos alimentos funcionais, trazendo mais benefícios à saúde do consumidor”, analisou.

Queijo

Por fim, Santos ainda falou do mercado de queijos, com envolvimento das agroindústrias. “O Rio Grande do Sul conta com 19 mil produtores de queijo, cada um com suas particularidades, oferecendo produtos diferenciados no mercado. Percebe-se a valorização da identificação local desses produtos”, concluiu, afirmando que o leite é um produto nobre e diferenciado em função de todas essas características. “Por isso tudo se justifica o trabalho de organização dos produtores rurais, objetivando que tenham melhores resultados na sua atividade, ao mesmo tempo em que desfrutem de qualidade de vida e geração de renda.”

Agradecimentos

O Fórum Tecnológico do Leite – 8ª Edição foi uma realização do Colégio Teutônia, com apoio de Emater/RS-Ascar, Regional Sindical Vale do Taquari, Fetag/RS, Governo do Estado – Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Prefeitura de Westfália, Associação dos Engenheiros Agrônomos do Vale do Taquari (ASEAT), Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (CAPA) e Ocergs-Sescoop/RS, com o patrocínio de Nutrifarma, Languiru, Certel Energia, Sicredi Ouro Branco, Du Pont Pionner, Banrisul e Prefeitura de Teutônia. O Circuito Temático ainda contou com a parceria de Emater, Nutrifarma, Du Pont Pioneer, Languiru, PGW Sementes, Atlântica Sementes, Ipacol Equipamentos, Zebu Cercas Elétricas, Fundação Agrícola Teutônia – curso Técnico em Agropecuária – e Samaq – representante Massey Fergusson do Brasil para os Vales do Taquari e Rio Pardo.

 

 

 

TEXTO – Leandro Augusto Hamester

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