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Encontro trata de crédito rural, produção de silagem e futuro da atividade leiteira

17/03/2017

No dia 16 de março em torno de 40 produtores de leite prestigiaram evento dedicado a essa atividade na localidade de Linha Paissandu, no município de Westfália. A propriedade da família Rutz, representada no quadro social da Cooperativa Languiru por Benno, Zilmar, Anderson e Eduardo, se organizou para receber associados da localidade de Linha Paissandu e de comunidades vizinhas.

Schmachtenberg reforçou dicas para os produtores obterem uma silagem de qualidade (Fotos: Éderson Moisés Käfer)

Nem a chuva que caiu no meio da tarde impediu os produtores de leite de efetuarem o rodízio de estações que apresentaram variedades de milho, abordaram a produção de silagem, instruíram sobre a regulagem de máquinas e analisaram o presente e o futuro da cadeia do leite. Na estação de abertura, autoridades municipais e lideranças de entidades de classe frisaram a relevância deste tipo de encontro voltado ao setor primário.

O prefeito de Westfália, Otávio Landmeier, observou que sempre há algo a incrementar na propriedade rural. “Muitas vezes pequenas ações já resultam em aumento da produtividade, algo fundamental em um município como o nosso, que tem no setor primário a sua maior força”, ponderou. O vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Teutônia com Extensão de Base em Westfália, Ademir Cord, destacou a necessidade de atualização do produtor, aliando a teoria à prática. “Houve muita evolução na agricultura”, complementou. O secretário da Agricultura de Westfália, Vitor Ahlert, lembrou que também é produtor de leite e agradeceu a acolhida da família Rutz. Frisou que Westfália é o segundo município que mais gera renda por área no Rio Grande do Sul. “Temos renovado os incentivos do pacote agrícola e sabemos dos desafios porteira afora. Mesmo sabendo que existem dificuldades, temos que continuar lutando nos âmbitos estadual e nacional. É uma grande responsabilidade”, salientou. O gerente adjunto da Emater/RS-Ascar, Carlos Lagemann, agradeceu aos produtores por “abrirem as portas” da propriedade para a realização do evento e ressaltou que a troca de informações faz com que as propriedades se desenvolvam de forma sustentável. “Enquanto gestores, este deve ser o nosso papel, trabalhar para que os agricultores produzam, tendo acesso às tecnologias existentes e qualidade de vida”, afirmou.

O técnico em agropecuária da Emater/RS-Ascar de Westfália, Marcelo Müller, abordou as diversas opções de linhas de crédito disponíveis por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Müller também elucidou aspectos pertinentes ao custeio, investimentos, agroindústria e condições ideais para aplicação. Da mesma forma, mostrou proposições e readequações para o crédito rural que podem contribuir para o fortalecimento das políticas públicas em andamento. “O crédito rural é a nossa principal ferramenta de desenvolvimento”, enfatizou.

Autoridades municipais e representantes de entidades de classe participaram da abertura do Dia de Campo

 

Milho para silagem

 

Localizada junto a uma lavoura de milho, na segunda estação o público conferiu variedades de híbridos para silagem da empresa KWS Riber Sementes. O representante comercial Nestor Schneider caracterizou os híbridos RB 9004 PRO2 e RB 9330 PRO2, ideais para a produção de silagem. Com o intuito de reforçar o conceito desses híbridos, mostrou demonstrativo do rendimento de lavouras da KWS em outras duas propriedades rurais.

 

Os passos para uma silagem de qualidade

 

O assistente técnico regional em Sistema de Produção Animal da Emater/RS-Ascar, Martin Schmachtenberg, coordenou os trabalhos na terceira estação. O profissional instruiu os produtores sobre como produzir uma silagem de alto valor nutricional para o rebanho. Observou que, tecnicamente, o processo de ensilagem consiste em conservar alimentos com produção de ácido lático a partir do açúcar, eliminação do oxigênio e redução de pH. “Uma boa lavoura de milho começa com a análise do solo, uma vez que talvez necessite adicionar nutrientes como adubo, calcário e ureia”, acrescentou.

Schmachtenberg reiterou que o ponto de colheita é quando o grão apresenta a “linha do leite” pela metade, sobremaneira que o milho com mais matéria seca vai ter mais energia que o milho colhido muito cedo. “O tamanho das partículas da silagem deve ficar entre 08cm e 10cm, uma vez que a vaca precisa ruminar”, advertiu.

Staggemeier explanou sobre o cenário do leite nas esferas estadual, nacional e internacional

Ainda quanto ao processo de ensilagem, comentou que o indicado é fazer a compactação usando apenas um trator. Esta prática, conforme Schmachtenberg, evita a entrada de “sujeira” no silo. “É aconselhável fazer o silo perto de casa para agilizar a oferta de alimentos ao rebanho. Já a cobertura do silo deve ser feita com uma lona branca usando pneus, telhas ou tijolos para diminuir a chance dela levantar”, complementou.

 

Presente e futuro da atividade leiteira

 

O coordenador do Setor de Leite do Departamento Técnico da Languiru, Fernando Staggemeier, revelou que a cooperativa capta 300 mil litros de leite por dia, volume oriundo de 60 municípios dos vales do Taquari, Caí e Rio Pardo. Comentou que a média produtiva por vaca na região é de 10 litros/dia, inferior à média da Languiru, que é de 15 litros de leite por vaca/dia. “A agricultura familiar é responsável por produzir 85% do leite gaúcho, sendo que o Rio Grande do Sul é o segundo maior produtor do país”, enalteceu. Staggemeier comentou que o Brasil é o quinto maior produtor de leite do mundo, porém ainda está muito atrás de países como Estados Unidos e Índia. “Se cada chinês passar a consumir mais leite, existirá uma demanda considerável para o mercado lácteo”, prevê.

Para o engenheiro agrônomo, os maiores problemas do país ainda estão atrelados aos custos de produção, estado que se agravou em 2016 com a ociosidade das indústrias devido à queda da produção. Entre os maiores desafios do leite nacional, citou o crescimento da produção, a certificação de origem dos produtos, a política de importações do Mercosul e a guerra fiscal entre os estados. “O ano de 2016 foi de extremos, com a produção nacional caindo 4,9% se comparada ao ano de 2015. Também ocorreu a quebra da safra de milho, que ficou 21% menor que em 2015, aumentando o custo da ração animal”, elencou.

Para 2017, apontou que se espera uma safra de grãos recorde e um volume de produção de leite superior a 2016 e a 2015, porém, sem excesso de oferta e melhora dos custos de produção. “A alta do petróleo no mercado internacional valoriza o Dólar e aumenta a demanda por lácteos. Além disso, existe a projeção de menor produção de leite no Uruguai e na Argentina, principais fornecedores de lácteos para o Brasil”, prosseguiu.

Sobre a Operação Leite Compensado, disse que ainda existem fraudes na cadeia produtiva que estão sendo divulgadas pela mídia, no entanto, vê algo positivo em todo esse movimento. “Podem ter a certeza de que o leite gaúcho é o mais fiscalizado do país. Por isso, ele ainda é reconhecido como sinônimo de qualidade no mercado”, ressaltou. Staggemeier contou que, em breve, uma novidade relacionada à detecção de prenhez estará sendo lançada pelo Setor de Leite. Os trabalhos na estação também foram acompanhados pelo técnico em agropecuária do Setor de Leite, Lúcio Wahlbrinck, que sanou dúvidas dos produtores.

 

Regulagem de máquinas

 

O técnico em agropecuária do Setor de Leite da Languiru, Dílson Friedrich, relembrou aspectos sobre a aproximação e a afiação da faca e da contra-faca para uma melhor fragmentação da partícula do milho. Além disso, falou sobre a regulagem da ensiladeira para melhor processamento da silagem.

 

Importante buscar conhecimento

 

O jovem associado Eduardo Rutz, um dos moradores da propriedade rural que recebeu o evento, disse que os ensinamentos sobre como obter uma silagem ideal são essenciais. O produtor também destacou a parceira com a Languiru e com a Emater/RS-Ascar. “É importante buscar conhecimento, pois o lucro do leite se ganha por centavos, ou seja, isso pode fazer a diferença final”, afirmou.

O Dia de Campo foi uma promoção da KWS Riber Sementes em parceria com a Prefeitura de Westfália, Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Teutônia e Westfália e Emater/RS-Ascar.

 

 

 

TEXTO – Éderson Moisés Käfer e Leandro Augusto Hamester

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