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Economia – “Não há saídas fáceis e infelizmente a população irá sentir”

01/09/2018

“A incerteza eleitoral traz dificuldades de prever o que vem pela frente. Não basta saber o que os candidatos querem fazer, mas se eleitos, se terão condições de fazer.” A frase é do economista Alexandre Barbosa, que palestrou para mais de 500 pessoas na Teutofrangofest, convidado pela Sicredi Ouro Branco.

No cenário mundial, destacou a valorização da moeda americana, com efeito sobre a produção brasileira, principalmente para as empresas que atuam com exportação. Para Barbosa, o maior problema do país, com significativas consequências, são os exageros com as contas públicas. “A dívida pública tem crescido ano a ano. Em junho de 2018 representava 77,2% do PIB. E isso está em todas as esferas, seja no município, no Estado ou no Governo Federal. É fundamental o ajuste da receita e da despesa pública. A situação precisa ser revertida, e medida duras devem ser tomadas”, disse, mencionando a Reforma da Previdência. “Não há saídas fáceis e infelizmente a população irá sentir”, acrescentou.

Evento ocorreu no Salão Social da Associação dos Funcionários da Languiru (Fotos: Leandro Augusto Hamester)

Segundo o economista, com a tendência de crescimento da dívida com relação ao PIB, cresce o risco. “Há a fuga de recursos, a desvalorização da moeda, inflação, elevação dos juros, o que trava a economia. É preciso diminuir as despesas públicas ou aumentar impostos, um tema fundamental a todos os candidatos nas eleições deste ano”, alertou.

 

Longo prazo

 

Para elevar o crescimento de longo prazo, o Brasil precisa fazer mais com menos, ou seja, aumentar a produtividade da economia. Nesse contexto, Barbosa mencionou investimentos em educação e maior eficiência. “O Brasil gasta 6% do PIB em educação, valor superior à média dos países desenvolvidos (5,5%), mas a educação é de baixa qualidade (63º de 70 países). Em termos de eficiência, é necessário desburocratizar. O Brasil gasta cerca de 1.958 horas para pagar impostos, enquanto que os países desenvolvidos 190 horas. É fundamental reduzir a discrepância da carga tributária entre os setores na economia, privatizar para trazer a eficiência do setor privado às atividades estatais e abrir a economia: entre o G20, o Brasil é um dos países mais fechados ao comércio internacional”, apontou.

Ele também falou do cenário de pessimismo no que se refere à confiança do consumidor, mas foi enfático ao frisar que “temos muito mercado a explorar, em diferentes setores. Ficamos estagnados nas últimas décadas, deixando de lado muitos potenciais mercados consumidores com olhar muito focado no Mercosul”.

Economista Alexandre Barbosa

 

Agronegócio

 

Especificamente quanto ao agronegócio, o palestrante revelou grandes impactos da taxa de câmbio, com elevação dos custos de produção e de comercialização. “O agronegócio sofre as consequências desse cenário, mas o desempenho ainda é muito bom, com a segunda maior safra de grãos da história. O volume de chuva acima da média é bom para os índices de produção. Nosso país também disponibiliza de grandes áreas para agricultura, somos e ainda seremos uma grande fronteira para produção”, disse.

Gráficos detalharam a evolução no consumo global per capita de carne de frango, de suíno e de gado. “A demanda interna de carne bovina não reage, mas as exportações mostram bom desempenho em 2018, dando sustentação aos preços do boi gordo. Neste ano, o Brasil não deverá alcançar os números de exportação registrados em 2017 na carne de frango. A expectativa é de recuperação nos embarques ao longo deste 2º semestre, mas barreiras comerciais impostas no 1º semestre do ano e a greve dos caminhoneiros afetaram a cadeia. Na suinocultura, os preços do suíno vivo não conseguiram se sustentar, com a normalização dos estoques de proteína nas redes atacadistas e varejistas, após a paralisação dos caminhoneiros, em maio. O tabelamento do frete é outro elemento adverso ao setor e as exportações totais de carne suína recuaram 14,1% entre janeiro e julho de 2018, em relação ao mesmo período do ano passado. Na pecuária leiteira, o consumo teve redução forte da demanda na recessão, mas está em lenta recuperação. Nos preços, depois de queda expressiva em 2017, houve aumento na entressafra, com recuo da captação”, resumiu.

 

 

 

TEXTO – Leandro Augusto Hamester

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