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Boas Práticas de Fazenda – Agregando renda e qualidade na produção de leite

21/05/2020

Manter uma rotina diária de higienização tanto dos equipamentos como da sala de ordenha; respeitar práticas de armazenamento do leite preconizadas pela legislação; implementar um conjunto de medidas que assegurem a qualidade da nutrição animal, precauções e registros sanitários, além de uma estrutura condizente para descanso do rebanho; e ser recompensado mensalmente por oferecer matéria-prima diferenciada à Indústria de Laticínios da Cooperativa Languiru. Essa é uma síntese da realidade de produtores de leite que conquistaram o selo do programa de Boas Práticas de Fazenda (BPF).

 

Crescimento do número de propriedades certificadas

 

O BPF foi instituído em abril de 2015 pelo Setor de Leite do Departamento Técnico. Entre 2019 e 2020, houve crescimento de 60% no número de propriedades certificadas. No mesmo período, aumentou em 65% o volume de leite captado dessas propriedades que estão localizadas em mais de 20 municípios do Vales do Taquari, Caí e Rio Pardo.

 

Pontos avaliados e ganho por litro de leite

 

O BPF verifica mais de 50 circunstâncias nas propriedades rurais, como o manejo dos ordenhadores, limpeza e manutenção dos equipamentos, estrutura do ambiente de ordenha, controle de drogas veterinárias e alimentação do rebanho. A visita de implantação é solicitada pelo associado junto ao técnico do Setor de Leite. Nessa visita são verificadas as instalações, procedimentos e equipamentos utilizados no manejo do rebanho e conservação do leite, sendo elencadas e descritas as adequações a serem realizadas para a implementação. Após a revisão das adequações realizadas, a granja leiteira é inspecionada e, caso necessário, é concedido prazo para efetivar as alterações mencionadas pela inspeção. Depois de aprovada, a propriedade recebe bonificação de R$ 0,03 por litro de leite. Essa certificação vale pelo período de um ano, até a próxima inspeção.

 

“O serviço fica o mesmo, porém, mais organizado”

 

Elemar Kohl (63), com propriedade localizada em Linha Imhoff, município de Imigrante, associou-se à Languiru em dezembro de 2012. Em dezembro de 2019 decidiu solicitar a auditoria do BPF. Escutou referências positivas de outros associados e os argumentos do técnico do Setor de Leite. Kohl, a esposa e o genro debateram a possibilidade de implementação. “Tínhamos uma estrutura básica e não havia motivo para não fazer”, recorda.

Kohl instalou tela na sala do resfriador, entre outros ajustes, para se adequar ao programa

Ajustes pontuais foram necessários para enquadrar a propriedade às normas observadas pela auditoria. A sala do resfriador ganhou tela de proteção para evitar a entrada de insetos e manter o ambiente ventilado. A porta do banheiro foi instalada no lado externo da sala de ordenha. Também foi montado um armário para separação e isolamento de medicamentos veterinários. “Tive facilidade de implementar o registro sanitário pois tenho guardado mais de três décadas de testes de Tuberculose”, orgulha-se. O associado entende que a auditoria contribuiu para reorganizar a propriedade e aumentar a renda mensal da família. “O serviço fica o mesmo, porém, mais organizado”, resume.

Desde janeiro de 2020, calcula que recebe uma média de R$ 600,00 por mês em bonificação. Enaltece que poderia ter coberto a conta mensal de energia elétrica ao analisar registros do ano passado. “Cada propriedade tem a sua realidade, entretanto, o programa se adapta muito bem a diferentes ambientes”, finaliza Kohl.

 

“O programa garante a segurança alimentar”

 

Alexsandro Faleiro (27) e Aline Palhares (24) administram propriedade rural em Linha Grão Pará, município de Venâncio Aires. Fornecem a produção de leite à Languiru desde 2015. Resolveram aderir ao BPF em junho de 2019. “Fomos incentivados pelo técnico e conferimos reportagens na revista da cooperativa”, conta Faleiro.

Faleiro e Aline entendem que o programa garante a segurança alimentar (Fotos: Éderson Moisés Käfer)

Entre os ajustes ocorreu a reorganização da sala de ordenha, a colocação de lixeiras no galpão dos animais e a instalação de armário para guardar medicamentos veterinários. A propriedade passou a receber a bonificação em julho de 2019. “Desde o início da certificação recebemos uma média de R$ 450,00 mensais adicionais. O valor cobre a energia elétrica usada na produção de leite”, exemplifica Aline.

Para Faleiro, a iniciativa organiza a propriedade e melhora a qualidade de vida dos produtores. “Vale a pena”, sintetiza. Aline enxerga vantagem relacionada ao consumidor: “o programa garante a segurança alimentar”.

 

Fale conosco

Associado, sua propriedade ainda não possui a certificação do Programa de Boas Práticas de Fazenda? Deseja aumentar a sua renda? Entre em contato com o técnico da sua região ou com o Setor de Leite do Departamento Técnico da Languiru, fone (51) 3762-5647.

 

 

 

TEXTO – Éderson Moisés Käfer e Leandro Augusto Hamester

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