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Alles gut – Jovens associados conferem o que há de melhor no agronegócio da Alemanha

10/07/2017

Arrumar as malas, sair da cidade onde mora, seguir para o aeroporto e viajar em busca de novidades que possam agregar à vida pessoal e na comunidade. Essa tem sido a escolha de muitas pessoas, de diferentes faixas etárias, principalmente jovens que buscam compreender o dia a dia de outras culturas e conhecer novas tecnologias.

Relevo elevado beneficia o cultivo de videiras no Sul
Biodigestores Família Derboven – É normal a presença de biodigestores na paisagem do meio rural como, por exemplo, na propriedade da família Derboven (Fotos: Arquivo Pessoal e Éderson Moisés Käfer)

No primeiro semestre deste ano, estimulados por um debate em sala de aula, quem optou por esse caminho foram cinco associados e filhos de associados da Cooperativa Languiru. Entre os dias 13 e 24 de maio eles participaram de viagem de estudos à Alemanha, organizada pelo curso de Agronegócio da Faculdade La Salle, de Estrela. O roteiro incluiu visitas a propriedades rurais, cooperativas, indústrias e escola técnica. Os acadêmicos conheceram o manejo, a estrutura e a tecnologias empregadas nas criações de aves e de suínos, produção de ovos e plantio de hortaliças.

Além dos jovens associados, a cooperativa também esteve representada pelo vice-presidente Renato Kreimeier, que é professor do curso de Agronegócio. A turma ainda foi acompanhada pelo diretor da Faculdade La Salle de Estrela, Marcos Antônio Corbellini; pela professora do curso de Agronegócio, Rosemari Kreimeier; além de professores e estudantes da Faculdade La Salle da cidade de Lucas do Rio Verde, situada no Mato Grosso do Sul.

 

Diversificação nas propriedades rurais

 

O roteiro compreendeu 2,7 mil quilômetros percorridos nos estados da Renânia do Norte – Vestfália, da Baixa Saxônia, Baden – Württemberg, Baviera e Renânia – Palatinado. O grupo teve a oportunidade de conhecer propriedades rurais e uma das que mais chamou a atenção foi da Familie Derboven. A propriedade sobrevive da produção de leite, queijos, biogás, cultivo de lavouras e prospecção do turismo rural. O rebanho leiteiro, de aproximadamente 500 cabeças, impressionou os acadêmicos.

Trator da Claas e implemento da Amazone usados na rotina do campo

Outra propriedade rural que chamou a atenção pelas particularidades foi da família Weibler. A renda é obtida por meio da criação de gado de corte e da produção de biogás, porém, um aspecto que intrigou os brasileiros foi a geração de energia fotovoltaica. A propriedade é autossuficiente e fornece energia para uma vila onde vivem em torno de 250 pessoas. A propriedade também sobrevive da produção de vinho branco e disponibiliza um salão de eventos para até mil pessoas.

A Bäuerliche Erzeugergemeinschaft Schwäbisch Hall, uma cooperativa de suinocultores, prendeu a atenção do grupo em função do sistema de criação da raça de suínos Schwäbisch Hall. Esses animais se caracterizam por ter uma pele de cor branca com manchas pretas, sendo que a carne tem menor teor de gordura do que a do suíno convencional. Os criadores revelaram que os animais são abatidos quando chegam nos 130kg.

Os brasileiros ainda conheceram uma propriedade rural que produz tomates em larga escala e uma associação que visa à produção de orgânicos, com mais de cem propriedades rurais cadastradas. A associação tem capacidade de estocar e moer até sete toneladas de grãos, além de vender produtos no atacado, produzir e vender sementes.

 

Maquinário agrícola

 

A avançada tecnologia do maquinário agrícola foi outro fator que chamou a atenção do grupo. Os acadêmicos conheceram a sede da Claas, conceituada fabricante de colheitadeiras, tratores e equipamentos de fenação. Com 9,5 mil colaboradores e 14 unidades de produção, a multinacional é representada pela Languiru no Brasil. A Amazone, uma conceituada fabricante de tecnologia de precisão, como semeadores e pulverizadores comercializados em toda a Europa, foi outra indústria do agronegócio alemão que recebeu a visita da turma.

Associação de produtores orgânicos conta com mais de cem propriedades rurais cadastradas. Possui capacidade de estocar e moer até sete toneladas de grãos, além de vender produtos no atacado, produzir e vender sementes

 

Ensino profissionalizante

 

Rosemari observou que a sociedade alemã valoriza o conhecimento, visto que cada cidadão dedica muitos anos de sua vida aos estudos. Nesse contexto, cita como exemplo a formação de empreendedores e sucessores de propriedades rurais na Escola de Triesdorf. “Para terem uma profissão, seja mecânico ou agricultor, os jovens estudam em instituições especializadas, conforme a aptidão. A Escola de Triesdorf concilia teoria e prática sem problemas com a legislação trabalhista”, explicou.

Formação de novas lideranças

 

O vice-presidente Kreimeier enfatizou a importância da viagem, assim como destacou o protagonismo da Faculdade La Salle na organização de viagens de estudo que procuram desenvolver o agronegócio do Vale do Taquari. “Foi uma grande experiência de vida para cada um dos participantes e, de certo modo, contribuiu na formação de novas lideranças dentro da Languiru”, sintetizou.

 

Suíno orgânico

Costa ficou impressionado com a produção de suínos da raça Schwäbisch Hall

 

Samuel da Costa integrou o grupo que viajou à Alemanha. O asfalto até a entrada das propriedades rurais e a sucessão familiar foram aspectos enaltecidos pelo produtor de suínos com propriedade na localidade de Linha Frank, município de Westfália. Da mesma forma, chamou a atenção do jovem o modelo de criação da raça de suínos Schwäbisch Hall. “O lote tem acesso a três microclimas dentro das pocilgas, ou seja, pode circular dentro ou fora da estrutura. O trato é feito com cevada, trigo e feno. Essa forma ‘orgânica’ de criação reflete numa certificação de origem para os animais da região”, explicou.

 

Produção de leite

 

Ahlert enalteceu a tecnologia empregada na produção leiteira e a estrutura disponibilizada aos produtores rurais

Lucas Ahlert ficou intrigado com fatores geográficos, culturais e tecnológicos no meio rural da Alemanha. Com propriedade em Linha Schmidt Fundos, município de Westfália, o jovem ficou sabendo que um produtor de leite precisa de, no mínimo, 70 vacas em lactação para se manter na Alemanha. Reparou que a dieta do rebanho é composta por alfafa, feno, trigo forrageiro, silagem de milho, pré-secado e concentrado. “Os alemães também plantam canola, cujo óleo é extraído e do bagaço feito ração para as vacas”, acrescentou. Segundo o jovem associado, o modelo de criação confinado predomina na atividade leiteira, em função das temperaturas que podem chegar a -20° C no inverno. “É uma estação muito seca. O sol aparece às 09h e às 15h já fica escuro”, relatou. Por outro lado, observa que no verão amanhece às 05h e só escurece às 22h. Nessa estação, em função das temperaturas que podem alcançar os 35° C, os produtores de leite costumam usar a nebulização para amenizar o stress calórico do rebanho. “Se passar dos 26° C, os ventiladores já ligam automaticamente no galpão”, recorda.

 

Produtores visam o bem-estar dos animais

 

Landmeier ressaltou o processo de geração de bioenergia e a cultura de zelar pelo bem-estar dos animais

A preocupação com o tratamento de dejetos chamou a atenção do produtor de suínos Rodrigo Landmeier. Com propriedade em Linha Schmidt, município de Westfália, o jovem observou que os alemães costumam usar energias eólica, solar e biogás. Explicou que os biodigestores são ligados por um sistema de tubos (canalização), uma vez que os dejetos são transformados em energia, utilizada na propriedade rural e, o excedente, vendido para as vilas perto das fazendas. “O esterco é misturado com restos de silagem e adubo no biodigestor. Essa solução gera o bioenergia”, esclareceu. Na lavoura, o esterco é introduzido cerca de 15cm no solo, sendo proibido jogar a lanço. “A legislação ambiental é cumprida à risca”, afirmou. Landmeier relata que a produção de suínos é limitada em cada fazenda conforme a capacidade de abate das plantas industriais. O motivo é o bem-estar animal. “Os frigoríficos não aceitam abater suínos oriundos de propriedades que ficam há mais de três horas de distância da unidade industrial”, afirmou.

 

Agronegócio semelhante ao do Vale do Taquari

 

Mörschbächer contou que quase todas as propriedades rurais procuram agregar valor à matéria-prima que geram

Coordenando as atividades em uma granja de produção de ovos férteis em Linha Frank, município de Westfália, Cléofas José Mörschbächer Júnior ficou admirado com a vocação das propriedades rurais em agregar valor à matéria-prima. “Lá, o agronegócio é muito semelhante ao que temos no Vale do Taquari. As agroindústrias produzem um mix variado de alimentos como queijos, iogurtes e embutidos”, relatou. Mörschbächer ficou impressionado com a quantidade de biodigestores instalados nas propriedades rurais e comentou que as escolas técnicas usam metodologia voltada ao ensino profissionalizante. “Muitas empresas fazem testes de novos produtos nestas escolas técnicas”, acrescentou.

 

Ingredientes de concentrados

 

Horst observou que a maior parte das propriedades com produção de leite utiliza silagem de grão úmido de milho

O zootecnista da Fábrica de Rações, Tiago Horst, observou que o milho é o principal ingrediente das rações na Alemanha. Por outro lado, notou que as propriedades rurais quase não usam farelo de soja na composição das rações. “Eles usam farelo de canola e feno de alfafa moído como substitutos, além de resíduos de trigo e de cevada. A maior parte das propriedades leiteiras ainda utiliza silagem de grão úmido de milho”, complementou. Quem também participou da viagem foi o assistente administrativo da Central de Distribuição Vale do Taquari, Arlan Deconti.

 

 

 

TEXTO – Éderson Moisés Käfer e Leandro Augusto Hamester

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