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9º Fórum Tecnológico do Leite – Qualidade do leite é destaque no último dia do evento

18/09/2015

Na manhã de sexta-feira, dia 18, ocorreu o último painel do 9º Fórum Tecnológico do Leite. Tendo por local o Auditório Central do Colégio Teutônia, produtores rurais, estudantes, representantes de entidades e comunidade participaram do debate sobre “Qualidade x Garantia”. Os painelistas foram Jaime Eduardo Ries, assistente técnico estadual da área do leite da Emater/RS-Ascar; Oreno Ardêmio Heineck, diretor executivo do Instituto Gaúcho do Leite (IGL); e Renata Wolf Suñe Martins da Silva, pesquisadora dos sistemas de produção de leite e nutrição de ruminantes da Embrapa Pecuária Sul.

Tradicional concurso de Leite em Metro encerrou programação do evento na tarde de sexta-feira (Fotos: Leandro Augusto Hamester)
Tradicional concurso de Leite em Metro encerrou programação do evento na tarde de sexta-feira (Fotos: Leandro Augusto Hamester)

               

Trabalho conjunto pela qualidade

 

Ries ressaltou que a qualidade do leite é um trabalho de parceria, de união de esforços de todos os integrantes da cadeia produtiva. “Pagar por qualidade não é favor da indústria, nesse processo todos devem e têm a possibilidade de ganhar, desde o produtor, passando pela imagem dos produtos industrializados até a chegada de um produto de qualidade às mesas dos consumidores”, frisou. Ele ainda falou das recentes fraudes encontradas no Estado. “A imagem do leite gaúcho não está muito boa, mas ruim mesmo seria se o problema existisse e não fosse descoberto. O atual contexto é ruim para o Rio Grande do Sul, que depende de exportar boa parte da sua produção. O Estado aumentou muito a sua produção e uma boa reputação, o que só ocorre com produtos de qualidade, é essencial para que o leite gaúcho e seus derivados possam acessar os grandes centros consumidores. Além disso, o país precisa aprender a exportar leite”, disse.

               

Visão de mercado

 

Heineck apresentou o trabalho do IGL e trouxe dados da cadeia leiteira. “Esses dados são fundamentais para que se tenha um planejamento e visão de futuro. A cadeia produtiva do leite possui grande importância econômica e social, tanto que 9% da riqueza gaúcha vêm desse setor. Mais do que nunca precisamos ter um olhar diferenciado para a cadeia do leite”, enfatizou. Ele alertou para que se tenha atenção especial, também, ao que o mercado consumidor procura. “Só vamos vender o que o consumidor quiser comprar, é ele quem dita o mercado e nós precisamos vender. Por isso a visão de mercado é importante. Precisamos organizar a cadeia produtiva e suprir os fundamentos deficitários com qualificação”, afirmou, chamando atenção para o desenvolvimento e implantação de selos de qualidade e de sanidade. “Isso deve ser perceptível ao consumidor, com um selo que atesta processo de qualificação oficial e auditado.”

Representantes da Emater/RS-Ascar, IGL e Embrapa Pecuária Sul foram painelistas na manhã de sexta-feira
Representantes da Emater/RS-Ascar, IGL e Embrapa Pecuária Sul foram painelistas na manhã de sexta-feira

 

Mercados exigentes

 

Fechando o ciclo de palestras, Renata da Silva apresentou detalhes de trabalho de pesquisa desenvolvido pela Embrapa Pecuária Sul. “Temos leite de qualidade e o índice de produtividade do Rio Grande do Sul é alto. Hoje, a produção mundial de leite supera os 730 bilhões de litros anuais. Para atendermos às necessidades do mercado e de qualidade, precisamos pensar e agir na adequação dos animais aos sistemas produtivos.” Conforme a pesquisadora, o Brasil tem crescido em volume de produção de leite ao longo dos anos. “Estamos produzindo para vender e, se quisermos seguir produzindo e evoluindo em volumes de produção, precisamos de mercado consumidor. Para isso, a busca por qualidade é fundamental para atendermos os consumidores de mercados mais exigentes, mas, hoje, a qualidade da nossa produção leiteira ainda não nos permite brigar por esses espaços. No entanto, vejo isso por outro lado: temos muito a crescer em quantidade e qualidade”, concluiu, trazendo detalhes sobre um dos problemas encontrados na cadeia produtiva: Leite Instável Não-Ácido (LINA). “É um problema para nós, para os produtores e para a indústria”, encerrou.

Auditório Central do Colégio Teutônia lotado para painéis do Fórum
Auditório Central do Colégio Teutônia lotado para painéis do Fórum

 

Avaliação positiva

 

Ao final do evento, a comissão organizadora do 9º Fórum Tecnológico do Leite e da 5ª Feira Agro Comercial avaliou como positivos os três dias de programação. O coordenador Márcio Mügge ressalta que as expectativas foram alcançadas, salientando a temática dos painéis e palestras, o circuito temático, a exposição de máquinas e implementos, os expositores e participação das agroindústrias familiares, o concurso do “Leite em Metro” e a inédita “Escolinha do Leite”, com a participação de mais de 600 crianças, numa ação desenvolvida com a parceria da Cooperativa Languiru. “Considerando o clima chuvoso, a participação do público de quarta a sexta-feira foi muito boa e estimamos em cerca de 1,5 mil pessoas, em especial produtores rurais, o principal público-alvo do Fórum”, avalia.

Especificamente quanto aos debates promovidos com os painéis e palestras, Mügge enaltece a qualidade dos trabalhos. “Contamos com representantes dos diversos setores da cadeia produtiva do leite, contribuindo com dados e dinâmicas muito produtivas”, frisa, lembrando que a estrutura de painéis também foi uma novidade na edição deste ano. “Foram momentos mais curtos, porém extremamente significativos.”

Quanto à próxima edição do evento, a comissão organizadora se reúne ainda no mês de setembro para avaliação do Fórum e da Feira deste ano e inicia as tratativas para 2016. “Um dos principais pontos a serem trabalhados desde já refere-se à infraestrutura para os eventos. Este ano utilizamos três locais – Colégio Teutônia, SER Gaúcho e Granja do Colégio Teutônia – e no próximo evento pensamos em reunir todas as atividades num único ambiente”, adianta Mügge.

O 9º Fórum Tecnológico do Leite foi uma realização do Colégio Teutônia, com a parceria de Emater/RS-Ascar, Regional Sindical Vale do Taquari, Fetag/RS, Governo do Estado – Secretaria do Desenvolvimento Rural e Cooperativismo, Associação dos Engenheiros Agrônomos do Vale do Taquari (ASEAT), Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (CAPA), Nutrifarma, Cooperativa Languiru, Certel Energia, Sicredi Ouro Branco, Du Pont Pionner, Banrisul e prefeituras de Teutônia e Westfália.

 

 

 

TEXTO – Leandro Augusto Hamester

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