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60 anos – Ex-ministro e meteorologista palestram para associados da Languiru

24/11/2015

Além de programação festiva, os 60 anos da Languiru ainda oportunizaram ciclo de palestras com informações relevantes para associados e produtores rurais, focando o agronegócio neste momento de crise da economia brasileira e questões climáticas atípicas causadas pelo fenômeno El Niño.

As palestras técnicas ocorreram na tarde do dia 12 de novembro e, tendo por local a Associação dos Funcionários da Languiru, reuniram cerca de 300 pessoas, em especial associados produtores de aves, suínos e leite.

Palestras foram realizadas no Salão Social da Associação dos Funcionários da Languiru (Fotos: Leandro Augusto Hamester)
Palestras foram realizadas no Salão Social da Associação dos Funcionários da Languiru (Fotos: Leandro Augusto Hamester)

Na oportunidade foram destacados “A importância da avicultura e da suinocultura na agenda do agronegócio brasileiro”, com o presidente-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o ex-ministro da Agricultura Francisco Turra; e “Impacto do fenômeno El Niño na safra de Verão”, com a meteorologista Estael Sias.

Otimismo

Turra iniciou sua palestra falando de otimismo. “Sou otimista acima de tudo, se me frustrar, será apenas no final, diferente do pessimista, que se frustra no início, no meio e no fim de qualquer situação”, afirmou.

De maneira resumida, ele apresentou a ABPA e a dimensão dos setores que a entidade representa. Para Turra, o Brasil é um dos grandes produtores mundiais de alimentos. “Moramos num país que é fenômeno, que está sendo descoberto agora como potência no ramo do agronegócio. Ao longo dos últimos anos registramos uma grande evolução na produção de alimentos. Hoje produzimos mais no mesmo espaço, crescemos mais, inclusive, que a produção americana. Já somos o maior exportador de carne de frango e bovina no mundo e, na carne suína, somos o 4º maior exportador mundial, mesma posição como exportador de produtos agrícolas”, apontou.

Francisco Turra
Francisco Turra

Nessa balança, ele alerta para a necessidade de aprendermos com quem está a nossa frente. “Eles compram nosso café, transformam e exportam o produto com valor agregado. São países que sabem fazer dinheiro com isso, e nisso está a riqueza de um país. Ficamos felizes em exportar a soja, quando a China compra essa matéria-prima e transforma em óleo de soja, com grande valor agregado”, ponderou.

Leite e ovos

No setor leiteiro, Turra explicou que, até agora, o Brasil foi um importador de leite. “Nunca se trabalhou muito bem o leite, as coisas sempre aconteceram no meio do improviso, não preparamos bem o produtor e não trabalhamos com eficiência produtiva. Também nunca buscamos o mercado externo. O mercado compra muito leite, e nós temos pouco a oferecer. Precisamos nos organizar melhor e oferecer qualidade para levar o produto brasileiro para fora do país”, alertou, adiantando que há muito espaço para crescer nesse setor.

Sobre a produção de ovos comerciais e férteis, o palestrante destacou que é um ótimo negócio. “O ovo passou de vilão à remédio e, hoje, somos o único país que não passa por problemas sanitários nesse setor”, concluiu.

Impactos do clima

Um dos focos da palestra da meteorologista Estael Sias foi o fenômeno El Niño e seus impactos para Teutônia e municípios vizinhos. Conforme a palestrante, “trata-se do mais intenso desde o Super El Niño de 1997/1998, o mais forte do Século XX e um dos maiores já observados”.

Estael explicou que, historicamente, o El Niño produz um período de Verão mais chuvoso, mas para 2016 podem ocorrer períodos de irregularidade na chuva, com excessos regionais e déficit em outras áreas. “As cheias de Verão são muito raras, mas não podem ser afastadas em 2016. Também há maior frequência de temporais nos próximos meses, com risco acentuado de granizo e vendavais ante a maior presença de umidade e ar quente”, adiantou.

Estael Sias
Estael Sias

Com gráficos bastante detalhados, ela apresentou características, mês a mês, das temperaturas e da incidência de chuva. “O mês de outubro foi campeão em chuva. Em algumas regiões chegamos a 450mm, o que é cerca de cinco vezes acima da média do mês”, exemplificou.

Conforme Estael, a intensidade nos permite afirmar que enfrentamos, atualmente, fenômenos do Super El Niño. “Pela primeira vez desde 1997, todas as principais regiões do Oceano Pacífico Equatorial apresentam anomalias acima de 1o C.”

Previsão para os próximos meses

Atendendo à expectativa do público, Estael apresentou previsão do tempo para os próximos meses. “Com a intensificação do fenômeno El Niño, pode ocorrer de esquentar um pouco mais, mas não muito diferente do que se tem hoje. O máximo desse aquecimento deve ocorrer ainda dentro da Primavera. Em boa parte do Verão, principalmente do meio para o final, há indícios de que começa a cair a temperatura, quando o fenômeno começa a perder força. O Inverno de 2016 deve ser neutro, sem influência de El Niño e La Niña. Não acredito que o frio avance cedo, mas tenho receio do frio tardio, o que pode vir a acontecer. Com isso podemos ter geada indo um pouco mais longe”, apresentou.

Para os próximos meses, os indícios são de dezembro com janelas maiores de tempo seco, com ondas de calor muito fortes e risco de granizo de porte médio e até grande. Janeiro deverá ser chuvoso, acima da média. Em fevereiro e parte de março devem ocorrer janelas maiores de tempo seco, podendo trazer ondas de calor significativas.

Para os meses de março, abril e maio, período de transição climática, podem ocorrer chuvas e temperaturas acima da média, com o final do Inverno e o começo da Primavera apresentando cenário de frio mais intenso.

TEXTO – Leandro Augusto Hamester

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